"Abrem-se novos horizontes com a inauguração da Estrada de Ferro Minas and Rio. Ficam na lembrança um tempo longínquo e saudoso passado, das tropas e mulas, as carreiras de bois, e a aristocracia leiteira. As ruas poeirentas das cidades, por onde passavam as boiadas, agora serão ocupadas por máquinas à vapor e linhas férreas." E o começo do progresso de cidades do Sul de Minas. Alguns anos depois, inaugura-se a linha tronco da Estrada de Ferro Muzambinho que se prolonga passando por várias cidades, até entroncar com a Estrada de Ferro Mogiana pouco antes de Monte Santo, nas divisas de Minas com São Paulo, devendo prolongar-se mais por outras cidades também na Estrada de Ferro Mogiana. No início do século XX , a Estrada de Ferro Muzambinho foi incorporada a Estrada de Ferro Minas e Rio, já com administração brasileira. E posteriormente, incorporada a Viação Férrea Sapucaí, passando a denominar-se Companhia de Estradas de Ferro Federais Brasileira - Rede Sul Mineira. E, é aí que começam as histórias de muita gente que transitou pelas cidades do sul de Minas, nos vagões dos trens. Também faço, parte dessa história, já que meu avô saindo de Passa Quatro, como funcionário da Rede, veio conhecer minha avó, numa fazenda em Cambuquira, bem perto de onde eu também vim parar. A diferença é que ele veio no auge do sistema de transportes ferroviários e eu no período de sua decadência. De onde eu saí, já não existiam mais trens, e novas ruas se abriam no lugar das linhas. Mas onde eu cheguei ainda eles existiam, e eu gostava de ouvir os apitos nas madrugadas, ou ao entardecer, e sentia bem como se tivesse resgatado aquele som perdido. Mas, tudo tem seu fim, e agora aqui onde estou, também não se ouvem mais os apitos nas madrugadas, ao virar a curva do Triângulo. Apitos de trens! Saudade que muita gente tem, acredito eu. Assim como o cheiro de café, vindo das máquinas beneficiadoras, próximas a estação da cidade onde eu nasci no sul de Minas Gerais.
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