
No século XVI, foi a primeira pessoa a se preocupar com os índios brasileiros, ensinando e aprendendo com eles. Padre, professor, catequista, historiador, poeta , teatrólogo. Participou da fundação de São Paulo, defendeu o Brasil de algumas invasões estrangeiras, escreveu livros sobre as línguas indígenas, poemas, etc. Quando morreu, foi carregado pelos índios até o Espírito Santo, por todo litoral, onde havia passado a sua vida dedicando-se a eles. Foi sendo acompanhado pelos índios que encontravam o cortejo pelo caminho, até o destino final.
( Imagem da Revista COFI - Correio Filatélico )
Escrevendo nas areias da praia um poema dedicado
à Virgem Maria.
( Imagem de M. Takigut ) Google
Beato José de Anchieta
Nascido nas Ilhas Canárias, arquipélago que pertence à Espanha, Anchieta ingressou aos 17 anos na Companhia de Jesus, congregação religiosa fundada no século XVI e que ficou responsável pelo processo de evangelização da América Latina.
Os integrantes da instituição, que existe até hoje, são chamados de jesuítas – o Papa Francisco é o primeiro deles a ser eleito como líder da Igreja Católica, em 2013.
Segundo a coordenadora do Museu Anchieta, no Pátio do Colégio, em São Paulo, Anchieta chegou ao Brasil com 19 anos, ansioso para trabalhar com indígenas. Em 1554, participou da fundação de São Paulo.
Aprendeu a língua nativa, o tupi, e com a ajuda de curumins (crianças índias), que exerceram o papel de tradutores, escreveu o livro “Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil”, que ajudava outros religiosos a entender a língua indígena durante o processo de catequização do Brasil Colônia.
Ao longo de sua vida ficou conhecido pela característica de conciliador. Teve papel fundamental durante o conflito entre os índios Tamoios (ou tupinambás) e os tupiniquins, denominado Confederação dos Tamoios, entre 1563 e 1564.
Na época, os Tamoios, apoiados pelos franceses, se rebelaram contra os tupiniquins, que recebiam suporte dos portugueses. Para apaziguar os ânimos, Anchieta se ofereceu para ficar de refém com os tamoios na aldeia de Iperoig, enquanto outro jesuíta, o padre Manoel da Nóbrega, seguiu para o litoral de São Paulo para negociar a paz.
Enquanto esteve “preso”, sua devoção à Virgem Maria o fez escrever na areia a obra “Poema à Virgem”, com quase 5 mil versos. A imagem deste momento foi retratada séculos depois pelo artista Benedito Calixto, no quadro que leva o mesmo nome da obra literária e que está exposto atualmente no Museu Anchieta.
Anos depois, foi nomeado Provincial do Brasil da Companhia de Jesus, responsável por todas as missões jesuítas do Brasil. Visitou várias regiões até morrer em 1597, aos 63 anos.
( Beleza da Igreja católica)
Pintura de Benedito Calixto no Museu Anchieta.


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