
O cinema em cidades do interior, já foi palco de muitos relacionamentos de amizades, familiares, e amorosos. Era lá que tudo acontecia. A vida social girava em torno do cinema. Aos sábados e domingos, todos colocavam suas roupas novas, aprontavam para ir ao cinema. As crianças tinham o hábito de ir às matinês e levar gibís para trocar uns com os outros, ou figurinhas de álbuns. Filmes americanos, mexicanos, franceses, deixaram saudade, e marcaram épocas. O cinema nacional era menos apreciado, a não ser filmes do Mazzroppi, que tinha um grande público sempre. Muita saudade existe hoje, nas lembranças de algumas gerações, que viram a TV ocupar o seu lugar, quando foram ficando vazios , com filmes ruins, e sendo aos poucos seus prédios transformados em Igrejas. Hoje ele voltou, mas não é mais o palco de antigamente, onde a sociedade se encontrava toda semana.
Cinema era o lugar comum, do encontro de todos. As mesmas músicas, os mesmos atores e o mesmo enredo, passando por todas as cabeças. Cada um guarda a cena que mais lhe tocou , mais terror passou, ou a que mais doeu. O filme ficava por dias repassando na cabeça, e durava anos em sucesso. As influências que causavam nas pessoas era a mesma das novelas de hoje. Os atores e atrizes eram nossos modelos. Deles vinham nossas inspirações, moda e atitudes.
Topetes, jaquetas,lambretas,vestidos e cabelos. As músicas todos conheciam e, durante anos, marcavam a vida de todos. Na minha infância, e na de muitas pessoas de minha geração, Lili foi o tema de bailados inesquecíveis das festas, e "Vinte mil léguas submarinas" o melhor filme de ficção.
Lá pelos meus treze anos, nunca consegui ver um filme de Brigitte Bardot, era proibido pra menores de quatorze, ou de dezoito. Até em filmes do Elvis Presley eu fui barrada, porque a censura era rigorosa na portaria do cinema. Psicose, nem pensar! Filme muito comentado. Até hoje, não sei como é, passou a hora e a curiosidade. Doris Day, Sofia Loren, Audrey Hepburn , algumas das modelos favoritas. Já casada na minha nova cidade, me lembro de ter visto um único filme, no antigo cinema que logo fechou as portas. Depois vieram os vídeos cassetes, e eu os usava muito para ilustrar as aulas. Eu não tinha muito tempo para assistir filmes por lazer. A vida era muito corrida com as minhas obrigações com a famíla e a escola onde eu lecionava. E, eu não assisti muitos filmes bons, e essa fase também passou.
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