domingo, 8 de julho de 2012

Álvaro Apocalypse e o Giramundo

Renomado desenhista, reconhecido como ilustrador e elogiado como animador de desenhos no Cinema e na TV.. Mas, o teatro falou mais alto, quando nasceu sua primeira peça " A Bela Adormecida" de Charles Perrault, numa versão bem mineira, no famoso teatro de bonecos, Giramundo. O espetáculo era só para os amigos e os filhos de amigos da casa. Entretanto Júlio Varela, convenceu-o de ir para o Teatro Marília que ele dirigia. A recepção foi muito boa. O público aprovou, e a emoção se transformou em aplauso dentro de um teatro de verdade.
Começou de forma doméstica em 1970 , e tornou-se o mais importante teatro de bonecos do Brasil. O primeiro nome escolhido foi Mimoso, pois queriam um nome ligado ao meio rural. E Álvaro se lembrou de um boi de uma história de sua infância "Giramundo" , e foi aceito por todos do grupo.
Recebeu muitos prêmios, e reconhecimento internacional. Desde então passou a dedicar-se a mágica terefa de dar vida aos bonecos e de inúmeras estórias que surgiram. Casado com Terezinha Veloso, ambos professores da Escola de Belas Artes da UFMG , juntos com Maria do Carmo Vivacqua Martins a Madu, usando todo tipo de material, criaram os bonecos das primeiras estórias do Giramundo Os textos eram adaptados pelo grupo. Tiveram peças infantís, sátiras como "O Diário". Quando foram convidados a apresentar na França, incluiram nele  trechos do Diário de um louco , de Gogol, e deu certo. Foi um sucesso, no Brasil e fora.. Aceitavam encomendas, como exemplo nos 150 anos de Carlos Gomes, fizeram O Guarany, A Flauta Mágica no bi-centenário de morte de Mozart, apresentada no Teatro Municipal de São Paulo em 1991, e Tiradentes no aniversário da independência em 1992. E também com Ratton, que encomendou os bonecos para o filme  'A dança dos bonecos". Já conhecido no Brasil e na França no Festival Charle-ville Mezieres, só então foi descoberto pela crítica, pela imprensa de Rio e São Paulo.  Ainda usavam temas estrangeiros, quando no Festival de Inverno de Ouro Preto, o jornalista Yan Michalsk., que fez um belo trabalho.sobre o Giramundo , lamentou que as peças tão bem montadas, mas tinham como base  textos estrangeiros. Foi quando Álvaro pensou em fazer algo bem brasileiro, que nasceu a ópera "Cobra Norato" de Raul Bopp, um mito folclórico amazônico, onde se incluem as lendas da mãe d'Agua, Iara , da Cobra grande, da Boiuna. Integraram-se ao grupo outros artístas plásticos, pintores , desenhistas, gravadores ,  e outros professores da  Escola de Belas Artes de MG, dando o formato de ópera , teve grande sucesso, chegando  finalmente a ser notícia na Rede Globo, no Programa Fantástico, Daí não parou mais de crescer.. Temos orgulho de nosso conterrâneo o ouro-finense Alvaro Apocalypse que passou sua infância em Ouro Fino e foi de lá que tirou as imagens para suas criações artísticas. Este texto foi retirado de um outro maior e mais completo feito por minha mãe que o admirava muito, desde quando foi sua primeira professora no grupo escolar, e recorda de como ele já gostava de desenhar desde esse tempo. Ele representa pra nós não só um artísta bem sucedido ,mas um amigo de família. Fomos vizinhos de sua avó D.Adelaide Brandão, e num período , quando já me lembro bem, de suas tias D. Adelaidinha e D.Paula, das quais aprendi muita coisa na minha vida. Quando a família de Alvaro Apocalypse foi embora pra BH, eu e meus irmãos herdamos seus brinquedos e livros de estórias. Alguns ainda permanecem na casa de minha mãe. São os mesmos contos de fadas, mas com outras imagens, diferentes das criadas pela Disney.
 ( A ilustração é um esboço, que foi deixado na casa de amigos em Ouro Fino )

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