


Minha geração de estudantes dos anos 60 teve o privilégio de ainda ter recebido educação musical na escola publica. Especialmente nós que estudamos na Escola Normal de Ouro Fino em MG, porque tivemos uma professora que foi aluna de Villa Lobos, e nos passou conhecimentos riquíssimos, não só de canto orfeônico, que era a nossa disciplina, mas toda a cultura que vinha junto, nas aulas que D. Sula ministrava. Era o sonho de Villa Lobos, fazer o uso da música, para educar o povo brasileiro, e nos vivemos um pouco desse sonho realizado por nossa professora. Quando ela nos passava uma letra de música , ela nos dava uma aula de folclore, geografia, história , artes, e ainda de postura, comportamento , patriotismo e tantas coisas que foram fazendo parte de nossas vidas. Segundo Manoel Bandeira Villa Lobos era sinônimo de Brasil. Ele queria que os professores educassem as crianças de uma forma bem brasileira. Gostando do que é nosso, respeitando nossos costumes e sobretudo valorizando-os. Fez um trabalho monstruoso sobre o Amazonas. Coletou lendas, costumes do Brasil e os transformou em música, não só folclórica , também erudita. As bachianas brasileiras, lindas que todo mundo conhece, a Floresta Amazônica, Descobrimento do Brasil, Uirapuru a Alma brasileira e os choros. Disse Villa Lobos: “Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. A minha obra musical é consequência da
predestinação. Se ela é grande em quantidade, é fruto de uma terra extensa,
generosa e quente. Sou todo um reflexo de nosso povo e de nossa terra, que
conheço de ponta a ponta, e que transborda em minha obra, por isso mesmo
projetada e aplaudida em todo o mundo, como se fora o coral gigantesco de todas
as vozes que arregimentei pelo Brasil. Como se fora o canto das iaras, dos sacis,
dos nossos índios e “Cunhatãs”, de todo o lendário e de todas as lembranças da
infância saudosa, desdobrada nas cordas daquela violinha de criança do tempo
das cirandinhas.”
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