quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O velho ingazeiro

Era época de chuva. Numa tempestade, um raio partiu o velho pé de ingá da casa do vizinho. Como ele era muito alto, seus galhos caíram no nosso lado, ocupando um grande espaço. Foi uma festa, poder tocar os galhos da copa da árvore, porque era lá, que ficavam os melhores frutos do ingazeiro. Eram sementes brancas,  meio felpudas, doces, um gosto bom. Naquela época eu gostei, agora não sei, nem me lembro mais. As pessoas mais velhas vão perdendo o paladar, pouco a pouco, e aquele gosto das coisas da infância, a gente procura, mas não acha. Além dos frutos que a gente não conhecia, também foi bom pra nossa imaginação. Eram tantos galhos, com folhas verdes, que parecia estarmos dentro de uma floresta. Eles ficaram por um bom tempo lá naquele chão,  com as folhas ainda verdes,  dando tempo para que as nossas brincadeiras tivessem continuidade de um dia para o outro. Logo pela manhã,  lá estava todo o time de sempre, os cinco, e vez ou outra, chegavam mais alguns. E a imaginação corria solta., pulando de galho em galho, até alguém nos chamar  pra dentro de casa.

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