quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Mangueira grande



A mangueira que já tinha as raízes para fora, era de minha irmã  que subia bem em árvores. Eu e minha amiga, gostávamos do balanço de um só nó, que tinha nela. Nele sentávamos uma sobre a outra, e começávamos a rodar. Rodávamos até ficarmos zonzas, caindo no chão, rindo, rindo, rindo, rindo, sem saber de que. Enquanto arrastávamos nossos vestidos naquele chão poeirento, nossas panelinhas de ferro cozinhavam nosso doce de goiaba, com fogo produzido pelas folhas da mangueira, entre dois tijolos. Vez ou outra , os meninos que lutavam uns com os outros, nos chamavam para fazer parte de suas brincadeiras. Eles eram os mocinhos, como nos seriados das matinês. Meu irmão sempre com seu chapéu vermelho e seus revólveres de jornal nos bolsos da calça Faroeste, como se fossem duas cartucheiras e um atrás para matar o bandido que ninguém queria ser.  Uma figura! Tudo acontecia debaixo daquela mangueira  grande , que ainda está lá do mesmo jeitinho.A gente vai  e as coisas ficam. Da vida nada se leva. Só o bem que  aqui  se faz, e nossas lembranças, por mais bobas que sejam.

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