Vai desmaiando a tarde ao longe, muito em calma
atrás de uma paineira enfeitada e florida...
Esse poente é o meu ser e a paineira a minha alma,
e o quadro, é uma visão do fim de minha vida...
Eis como vejo tudo: _ " o meu vulto curvado,
a cabeça branquinha assim como o algodão...
Para trás uma estrada imensa: _ o meu passado
Para frente, mais nada: uma cruz sobre o chão"...
A minha alma no entanto, enfeitada há de estar,
florindo de lembranças e recordações,
e os seus ninhos de amor há de sempre ostentar
vazios, relembrando o tempo das canções...
E arrastando os meus pés, caminharei sorrindo,
Findando este destino errante e sonhador...
E o meu poente há de ser como esse dia lindo
Morrendo por detrás de uma paineira em flor!... ( J.G de Araújo Jorge)
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