L E M B R A N Ç A S
Lembrança Lembrança Lembrança Lembrança Lembrança Lembrança
sábado, 2 de setembro de 2023
Mudança
O mais importante e bonito do mundo, é isto: as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, e estão sempre mudando.
sexta-feira, 26 de agosto de 2022
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
Nos tempos de Baile
Rapazes de terno preto, elegantes. Bandos de pinguins, falantes. Meninas
maquiadas e de evasê. Sob cabelos imóveis de laquê. Na pista casais dançando.
Alguns muito agarrados. Outros só rodopiando. E rebolando afastados. No bar
gente falando. Mais alto que o som da banda. Odores se misturando. De bebida,
tabaco e lavanda. Nas mesas do salão de baile. Disfarçando a choradeira. Meninas
esperam seu príncipe. Tomando "chá de cadeira". ( Biel)
sexta-feira, 2 de abril de 2021
O padroeiro de Ouro Fino - São Francisco de Paula
São Francisco de Paula. O santo e velho fradinho. Por tão bondoso que era, salvou o seu carneirinho. São Francisco de Paula. Por todos tinha carinho. Caridade era o seu lema, e a verdade o seu caminho. São Francisco de Paula. Do mar era o italianinho. Mas por ordem o Papa, foi cuidar do rei vizinho. São Francisco de Paula. Fazia tudo certinho. Com muita fé e ardor, orava sempre sozinho. São Francisaco de Paula. Era um frade tão santinho. Que quando estava rezando, flutuava como um anjinho. São Francisco de Paula. Era santo e bonzinho. Mas quando via a injustiça, ficava bem zangadinho. São Francisco de Paula. Milagroso e humildezinho. Dedicava as honrarias, só a Deus e sua mãezinha. São Francisco, de Paula. Hoje ele é o queridinho. Das crianças de Ouro Fino, que lhe jogam seus beijinhos (dedicado às crianças de Ouro Fino, no dia do padroeiro da cidade)
terça-feira, 16 de março de 2021
domingo, 14 de março de 2021
sábado, 13 de março de 2021
Castro Alves - "o poeta dos escravos"
Uma das figuras de maior projeção na literatura brasileira foi Antonio Federico de Castro Alves, nascido no Estado da Bahia,na fazenda Cabaceiras, a 14 de março de 1847, e falecido muito moço, com 24 anos, a 06 de julho de 1871, na cidade de Salvador.
Dotado de notável precocidade e criado no seio de uma família culta, passou seus primeiros anos na fazenda paterna, em contato com os escravos e com os problemas da senzala, conhecendo desde o berço, a angustiante vida dos escravos.
Sua imaginação era exaltada pelas histórias que lhe contava sua mucana Leopoldina. Por outro lado recebia de seu pai e sua mãe uma cultura estética aprimorada.
Em 1854 a família transferiu residência para a capital baiana, e Castro Alves, aos sete anos, ingressou no ginásio então dirigido pelo notável educador Abílio César Borges. Sua vocação literária se traduzia numa ancia constante pela leitura. Devorava os clássicos e os grandes românticos da época. Seu autor predileto era Vitor Hugo, que exercia grande influência no seu pensamento e na sua obra literária. Dotado de grande eloquência, facilmente transmitia seu pensamento e desde os primeiros tempos de escola,já fazia versos. Era o condor que já ensaiava os seus primeiros vôos poéticos.
Em 1862 transfere-se para a cidade de Recife, onde tentaria ingressar na Faculdade de Direito, mas só o consegue em 1864, depois de duas reprovações em geometria durante os preparatórios.
Indo para Recife com apenas 15 anos, alí patenteará desde logo seu gênio. O ambiente acadêmico, com uma vida agitada e livre, fecundara-lhe o espírito para as pugnas da palavra. Entre outros mancebos de talentos, anciosos também, por se colocarem em evidência naquele animado meio intelectual, a índole generosa de Antonio,não menos que as suas aspirações de glória, fê-lo paladino das nossas grandes causas sociais, então em debate no país.
Como orador e poeta torna-se figura obrigatória nas sessões da Academia, nas sociedades de estudantes e na platéia de teatros. Os aplausos que recebe, estimulou-o cada vez mais, para a conquista da glória. As grandes causas humanitárias o empolgam cada vez mais e fornecem a inspiraçao poética para suas obras e para seus discursos.
Sua figura varonil, inspirando admiração, concorria para mior projeção de sua palavra e de suas idéias. Um de seus biógrafos assim o descreve: "Era Castro Alves, naquele tempo, um formoso mancebo, senhoril de porte e nobre de atitudes. Os seus grandes olhos penetrantes, de um fulgor concentrado, fagulhavam, vivídos, sob a fonte marmórea, em impressionante contraste com a cabeleira basta e negra. A voz ora trovejante, ora maviosa, penetrava nos ouvidos dos circunstantes como um filtro mágico, a acender, lá dentro nos cerébros eletrizados, a emoção e o entusiasmo. Irrepreensivelmente trajado de preto, com uma flôr na lapela, sereno na sua magestade olímpica, os seus ademanes e dotes plásticos sugestionavamdesde logo a multidão. Em tais momentos, impunha-se a admiração não só dos homens, mas sobretudo das mulheres, exaltando-os ou enternecendo-as."
Torna-se Castro Alves paladino de duas grandes causas sociais - a abolição da escravidão e a proclamação da república.
É desse tempo o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas, obra em que entrelaçou as idéias que o dominavam, como a república e a abolição. Desse tempo também é seu debate com Tobias Barreto, o sergipano que chefiava um grupo de estudantes que endeusava a atriz Adelaide do Amaral. Chefiando outro grupo Castro Alves exaltava a atriz portuguesa Eugênia Infante da Câmara, que tanta influência passaria a exercer em sua vida.
Em 1867 segue para a Bahia, onde é levada a cena seu Drama Gonzaga. Nessa oportunidade e em outras, o gênio de Castro Alves arrebata o povo baiano. Logo depois, em 1868, segue para o Rio de Janeiro, onde trava relações com Fagundes Varela, que o aconselha a continuar o curso de Direito em São Paulo. Entra em contato com José de Alencar e Machado de Assis, que louvam seus versos. Pouco tempo permanece no Rio, mas aí se encontra na hora de grande triunfo brasileiro nas guerras do Sul, e, patriota como era, recita versos inflamados de uma das sacadas de um jornal carioca, recebendo a aclamação popular. Seguindo-se para São Paulo, matricula-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Na "terra da garoa", entra em contato com mestres e alunos da Faculdade de Direito, muitos dos quais se projetariam na vida pública brasileira. Colhe novos triunfos literários e torna-se ídolo da mocidade acadêmica.
Ainda no ano de 1868, para esquecer aborrecimentos ou para descansar da intensa atividade intelectual, dedica-se ao esporte de caça. Numa dessas caçadas ocorreu um desastre: a arma que levava disparou, atingindo seu pé. O mal se agravou e o poeta foi levado para o Rio de Janeiro, onde teve a perna amputada.
Desolado ante essa deficiência física e minado pela tuberculose, voltou para seu Estado natal, onde faleceu. Antes de morrer , viu ainda publicado seu livro de poesias Espumas Flutuantes e o Drama Gonzaga ou Revolução de Minas.
Deixou obras póstumas: o poema A Cachoeira de Paulo Afonso, Os Escravos, Hinos do Equador, Manuscritos de Stênio, Perderam-se os originais da novela Mazaccio e das traduções da comédia Clarinha e Clarim, e os Pomos do Meu Amor.
A obra literária de Castro Alves situa-se no Romantismo, mas na sua última fase- o Romantismo social. A forma era romântica, pois se inspirava nos autores românticos, mas tendo em mente os problemas sociais e políticos de sua época.
No livro Espumas Flutuantes foram reunidas, principalmente, as poesias em que Castro Alves cantou o Amor. Em Escravos, publicado depois de sua morte, foram coligidas as poesias e poemas que falavam da escravidão e bem alto elevavam a voz do poeta em favor da raça negra. Foi um livro a serviço de uma raça e de sua libertação. Alí figuram seus mais famosos poemas, O Navio Negreiro e Vozes d'Africa.
Em Cachoeira de Paulo Afonso cantou principalmente a natureza e a beleza da terra em que nascera. A vida e a obra de Castro Alves em muito se assemelhava a essa cachoeira, pelo seu arrojo e pela sua impetuosidade.
A respeito da obra de Castro Alves, escrevu Xavier Marques: " A obra social de Castro Alves, obra de vidente, missionário, demolidor e reformador sob seu duplo aspecto nacional e humano, é a única na literatura brasileira, como sem par ficou até hoje, na essência e na forma, desalinhada muita vez e abundante em impressões literárias, a sua poesia pessoal. Tivemos, em verdade, antes e depois dele, poetas mais filósofos, poetas mais artístas, poetas mais fantasistas, mas comparável a ele, nenhum até hoje."
Joaquim Nabuco,falando de sua dedicação à causa de liberdade, apresenta-o como um exemplo à mocidade, e diz:" seu maior título é o de ter posto seu talento ao serviço de causa da emancipação , de liberdade, e da pátria."
José Veríssimo disse: Castro Alves " era uma grande talento verbal, uma sincera eloquência comunicativa, um simpático entusiasmo juvenil. Tudo isso encobria as imperfeições evidentes de sua obra, e disfarçava-lhe as incorreções de pensamentos e expressão. Disse ainda: "A sua influência foi enorme as causas sociais e humanas, as viu, entendeu e as cantou, como poeta, poeta nacional, se não mais, poeta social, humano, humanitário".
Rui Barbosa, falando das críticas feitas a Castro Alves por faltar-lhe a pureza clássica, disse: "Para esses fecundíssimos estudos, te-lo-ia atraido, creio eu, o seu gosto de artista, se a morte lhe não vedasse a segunda florescência, de seu talento; mas um feliz instinto de sua vocação supria, frequentemente, nele, a aplicação investigadora e revelou-lhe no idioma pátrio excelências de primeira água."
Amadeu Amaral disse:"Ele foi o querido da mocidade e do povo, o mais amado, op mais fascinador, o mais compreendido dos nossos poetas, porque não foi apenas um poeta, foi um apóstolo e um propagandista, um lutador...
Foi o poeta que, durante sua vida, maior influência exerceu na formação da consciência nacional.
Seu amor ao Brasil e à liberdade bem pode ser aquilatado quando fala da bandeira imperial do Brasil hasteada na gávea do navio negreiro. Pede à Musa: -"Chora e chora tanto que o pavilhão se lave no seu pranto..."
No verso seguinte mais ainda mostra seu amor ao Brasil: "Auri-verde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do Sol encerra, As promessas divinas de esperança..."
Suas esperanças e seu pranto não foram em vão, pois sua pregação poética teria papel destacado na elaboração das Leis do Ventre Livre, dos Sexagenários e finalmente na Lei Àurea.
BIBLIOGRAFIA:
Amora, Antonio Soares - História da Literatura Brasileira
Alves, Castro - Espumas Flutuantes, Escravos e A Cachoeira de Paulo Afonso
Enciclopédias.
Trabalho de Literatura- Curso de História - FAFI Itajubá mg
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